Remédio: cuidado ou descuido?
- revigorasp
- Jan 8
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Hoje venho conversar com vocês a partir de uma frase que segue ecoando em mim, ouvida na 4ª Jornada em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde da EEUSP que aconteceu em agosto de 2025:
“Freud, no século XX, apontava para o mal-estar na sociedade. E no século XXI, estamos medicalizando o sofrimento.”
Ali também se falou sobre algo fundamental: a diferença entre saúde mental e sofrimento. Muitas vezes, colocamos tudo no mesmo pacote, quando nem todo sofrimento é, necessariamente, adoecimento.
A partir disso, me dei conta de que a pergunta tão comum — “Será que as práticas integrativas são efetivas?” — talvez precise ser substituída por outra, mais profunda:
“Será que estou disposto, disposta, às mudanças que preciso fazer nos meus hábitos, pensamentos, modos de ser e compulsões que estão por trás do meu adoecimento?”
A escolha pelas PICS requer mudanças. Algumas coisas precisam sair da rotina, outras precisam entrar. No campo objetivo, que costumo chamar de quatro pilares para uma boa saúde: movimento, alimentação, eliminação e sono temos uma direção simples, mas estruturante de por onde começar.
Há também o campo mais sutil: modo de pensar, padrões de comportamento e compulsões. E compulsão não se restringe ao álcool ou a outras drogas. Pode aparecer no trabalho, na alimentação, nas relações, no consumo do conteúdo chamado de adulto, no s3xo, na atividade física e em tantas outras formas socialmente naturalizadas.
Ao longo de dez anos ouvindo pessoas nos atendimentos, algo sempre me chama atenção: uma lista de medicamentos que se repete com frequência. Em um estudo dos prontuários das pessoas atendidas por mim entre 2016 e 2020, a média de medicamentos foi de 1,9 por pessoa, sendo 27,7% da classe dos antidepressivos. Sigo ouvindo: clonazepam, zolpidem, omeprazol, sinvastatina, losartana, analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides.
Acho que a gente precisa, sim, parar e pensar um pouco sobre tudo isso.




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